São Francisco Xavier

São Francisco Xavier

S. Francisco Xavier é o Santo Padroeiro de Goa e dos Goeses. Há uma grande identificação dos Goeses com este Santo, porque ele simboliza o cristianismo na Ásia e o esforço passado de o enraizar nas sociedades orientais.
SuperGoa.com mostra-lhe a biografia completa deste “espanhol” e imagens lindas do santo. O seu corpo está hoje na
Basílica do Bom Jesus em Velha Goa e de dez em dez anos é exposto publicamente.
É um grande acontecimento para centenas de milhares de católicos de toda a Índia, mas não só, porque são muitos os hindus em Goa que pedem ao santo a sua protecção. Essas exposições servem também de pretexto para os Goeses espalhados pelos quatro cantos do mundo se voltarem a encontrar com as suas raízes em Goa.
S. Francisco Xavier é mais do que um simples padroeiro.
Durante o tempo português ele simbolizava o domínio político dos portugueses no Oriente e pedia-se que protegesse Goa dos inimigos. Hoje, o santo simboliza e “protege” a “minoria” católica de Goa que é fruto do trabalho missionário do passado.

 

Castillo Xavier

Castillo Xavier é uma vila no nordeste de Espanha, a poucas dezenas de km de Pamplona.
S. Francisco Xavier nasceu como o mais novo de 5 filhos em 1506 na localidade de Castillo Xavier, no Reino de Navarra. A sua família era aristocrática, e a sua educação foi, portanto, de nobreza típica para a altura. O castelo da família Xavier é muito bonito e pode ser visitado. Está em muito bom estado de conservação e o seu interior, embora não seja opulento, permite ao visitante sentir-se como o jovem Francisco Xavier e disfrutar as mesmas belas paisagens da janela do seu quarto, como ele o fazia há mais de 400 anos. Tem uma basílica do século XIX.
Castillo Xavier é hoje uma vila de peregrinos que vêm de todo o mundo. Devido à beleza da região, à proximidade dos Pirinéus e à importância histórica, este é um sítio que é indispensável visitar.

Biografia

No dia 7 de Abril de 1506, nasce no Castelo-Solar da família Aguarês y Javier o oitavo filho, a que foi dado o nome de Francisco. Seu pai, nobre conceituado do Reino de Navarra, exercera o cargo de embaixador extraordinário junto do Reis Católicos, Fernando e Isabel. A sua familia, rica de bens materiais, de títulos honoríficos e com elevada distinção mantinha junto da população uma excelente reputação, graças à sua generosidade e amizade.
Francisco cresceu assim, junto aos Pirinéus, num ambiente de riqueza e de tradição. Desde cedo mostrou uma aguçada inteligência e uma crescente paixão pelo estudo. Aos 7 anos inicia os seus estudos colegiais em Gandia-Espanha, onde lhe é profetizado um futuro glorioso. Aos 14 anos entra no Colégio de Santa Bárbara, de Paris para completar as disciplinas de filosofia, literatura e humanidades. Foi aqui que aprendeu a fundo as línguas francesa, alemã e italiana.
A Universidade de Paris vê entrar o jovem Francisco aos 18 anos. Forma-se, com distinção, em Latim, Filosofia e Humanidades. Após terminar esta formação, atinge a cátedra em Artes de Engenharia. No colégio de Santa Bárbara, firmou uma forte e íntima amizade com o seu colega Inácio, que entretanto seguia uma carreira militar. Inácio abandona o exército em consequência de um grave acidente e junto a Francisco iniciam um conjunto de exercícios espirituais, imaginados pelo primeiro, com vista ao estudo da doutrina cristã e benefício da Humanidade.
Depois de peregrinação pelos Lugares Santos, ingressam no Seminário de Veneza a 15 de Agosto de 1530, com o propósito de fundarem a milícia dos Filhos de Jesus. Em 24 de Junho de 1536, Francisco Xavier é ordenado sacerdote. Mas a doença começa a atormentá-lo. Por várias vezes tem que se manter acamado e a noticia da anexação de Navarra a Castela deixa-o muito abalado.
Em Portugal, D.João III precisa de uma ordem de evangelizadores que, com a cruz na mão, levem a notíca desta nação de bravos e bons homens, aos recém descobertos povos de além-mar. Solicita ao Papa que lhe sejam destinados alguns Padres Jesuítas, atendendo às suas afamadas técnicas de evangelização. Francisco Xavier acaba por ser o escolhido e com entusiasmo inicia a sua missão.
No Oriente percorre Goa e depois as ilhas de Madrasta, Maçacar, Malaca, Molucas, Amboíne e Moro. As condições de vivência são difíceis, mas as feitorias Portuguesas começas a solidificar após a sua passagem. No Japão continua o seu percurso evangelizador e rapidamente entra nas relações das mais importantes familias do Império do Sol Nascente. Fracassa no contacto com o Imperador e com o Shogum, que não aceitam os seus intentos religiosos. Segue-se a Etiópia, onde conquista o Imperador e a Imperatiz, movendo-se com facilidade nos circulos de poder da nação.
Mas se no plano religioso não consegue convencer o Imperador do Japão, no plano político é um hábil negociador, abrindo portas aos acordos comerciais com quase todo o Oriente. Fruto da sua inteligência, profunda cultura e hábil dialética, o navarro Francisco Xavier notabilizou-se pelo papel de embaixador de Portugal junto de diversas comunidades e nações.
Mas a India era a sua paixão. Doente e cansado retorna a Goa a 6 de Maio de 1551, com 44 anos de idade. É recebido com alegria pela comunidade local, com faustos festejos pela nobreza local. Dedica os seus últimos tempos de vida ao trabalho no campo humanístico e cultural. As febres infecciosas atacam-no. Visita a Missão de Sancião a 1 de Dezembro de 1552. Está exausto e, algumas horas depois morre, na madrugada de 3 de Dezembro de 1552, numa humilde esteira de vimes abraçado ao crucifixo que o velho amigo Inácio, um dia, lhe tinha oferecido.
Mas há obras que não morrem. Nem os seus obreiros. A 25 de Outubro de 1605, o papa Paulo V beatifica o Padre Francisco Xavier que passa a São Francisco Xavier em 12 de Março de 1622, canonizado pelo papa Gregório XV.

S. FRANCISCO JASSU D’AZPILCUETA Y JAVIER
(Biografia – Cronologia)

Retirada do livro
“São Francisco Xavier: Luminar da Missionação e das Descobertas Portuguesas (Século XVI)”
de Domingos José Soares Rebelo – Alcobaça 1993

1506.04.07

Nasce no Castelo de Xavier, Navarra, Espanha

1515.10.16 É sacudido pela morte do pai D. João de Jasso
1525.10.01 Chega a Paris onde se forma em Filosofia com os graus de Bacharel (1526) e Mestre (1530)
1534.08.15 Faz em Monimarire os votos de pobreza, castidade e ida à Terra Santa
1536.11.15 Parte de Paris a Veneza como peregrino
1537.01.08 Chega a Veneza e se encontra com o Mestre Loiola
1537.04.03 Xavier e seus companheiros recebem em Roma a Benção e a ajuda de 60 Ducados do Papa Paulo III
1537.06.24 Recebe as Ordens Sacras e as de Missa às mãos do Bispo/Arcebispo de Arba
1540.03.16 Parte para Lisboa depois de escolhido pelo seu Superior Inácio de Loiola em substituição de Bobadilha
1540.06.23 Na companhia do Embaixador Português chega a Lisboa, vindo de Roma por via terrestre. Depois com o Pe. Simão Rodrigues vai servir no Hospital de Todos-os-Santos
1540.07.07 Paulo III promulga 4 Breves Papais em nome de
1540.08.02 Xavier: no 1.° designando-o Núncio in Omnibas Portugaliae Conquistis ultra et citra Caput Bonnue Spei; no 2.° concede-lhe amplos poderes para estabelecer e manter a Fé no Oriente; no 3.g recomenda-o a David, Imperador da Etiópia e no 4.° aos Principes e Soberanos da África Oriental, das regiões do MarVermelho e Golfo Pérsico, e das Índias (aquém e além do Rio Ganges)
1541.04.07 Embarca para a Índia com 2 companheiros: Pe. Paulo Camerini (ou Camerte) e Irmão Francisco Mancias (ou Mansilhas)
1541.09.03? Desembarca na Ilha de Moçambique onde durante uns 6 meses exerce o apostolado cristão de caridade para com o próximo
1542.02.27? Deixando seus 2 companheiros, embarca para a Índia via Melinde e Socotorá
1542.05.06 Desembarca em Mormugão, Goa (1.ª Jornada de Evangelização)
1542.10.05 ? Parte para a Costa da Pescaria (2.ª Jornada de Evangelização)
1545.09.25 Desembarca em Malaca (3.ª Jornada de Evangelização)
1546.01.31 Parte para as Molucas (4.ª Jornada de Evangelização)
1549.08.15 Desembarca em Cãgoxima (Kagoshima), Japão (5.ª Jornada de Evangelização)
1552.04.14 Deixa Goa de largada para a China, via Malaca
1552.07.08? Chega a Malaca onde o Governador, despeitado pela escolha de Diogo Pereira como Embaixador, não o deixa partir com Xavier para a China
1552.07.18? Parte a bordo da nau Santa Cruz para Sanchono, China
1552.07.28 Chega à Baía de Cingapura donde escreve suas últimas cartas a D. João III, a Diogo Pereira, ao Vice-Rei das Índias, ao Pe. Gaspar Barzéu e a um pobre e analfabeto neófito japonês de nome João
1552.09.?? Desembarca na Ilha de Sanchoão (China)
1552.11.20 Depois de sofrer uma grave recaída, acolhe-se a bordo da enfermaria da nau Santa Cruz
1552.11.28 Caindo em delírio, sofre vertigens e convulsões perdendo a fala que recupera a 30 do mês
1552.12.01 Deixa a nau Santa Cruz e vai dormir numa esteira dentro duma pobre cabana da Ilha de Sanchoão pertencente ao seu amigo Jorge Álvares
1552.12.02 No meio de todas as privações e muitos sofrimentos morre às 2 horas deste dia (sexta-feira), cumprindo -se à risca o que predíssera a Jorge Álvares (“devo morrer na sexta-feira próxim”a e ainda “morrerei amanhã às duas horas”)
1552 De Janeiro a Dezembro deste ano, o Crucifixo do Castelo de Xavier, em Navarra, Espanha, que em todas as sextas-feiras do último ano da vida de Xavier, miraculosamente escorrara sangue, subitamente deixa de derramar sangue após as 2 horas da tarde de 2.12.1552, assinalando o fecho da exis tência terrena do Glorioso Santo na Ilha de Sanchono, China. Aquele sangue maravilhoso, já coagulado no Crucifixo do Castelo de Xavier é admirado nos nossos dias por uma avalanche de peregrinos vindos dos quatro cantos do mundo.

 

Hino

Há longos séculos que os filhos de Goa vêm cantando num popular hino religioso, em língua concani (língua de Goa), seus louvores ao Querido Santo proclamando destarte algumas destacadas facetas da milagrosa Vida e da não menos assombrosa Morte de São Francisco Xavier. Este hino consta de 11 estrofes, cuja essência vai sumariada em versão livre portuguesa e nas seguintes proclamações:

1.ª estrofe
Que seu Santo Corpo jaz em Goa mas na companhia de Jesus seu destino se perpetua

2.ª estrofe
Que, após a morte, fez-se Santo e o manjericão floriu coroando -Ihe a sagrada cabeça

3.ª estrofe
Que Roma, avisada de sua Santidade, em sinal probatório pediu o envio do seu Braço cortado

4.ª estrofe:
Que, ao cortarem-lhe o Braço, os Padres se apavoraram vendo o sangue a borbotar e manchar-lhes as vestes

5.ª estrofe:
Que, no transporte do Braço a Roma, faz-se uma grande tormenta, amainada mal seu Crucifixo fora baixado às águas do mar encapelado

6.ª estrofe:
Que, sendo colocados na mesa uma folha de papel e o Braço cortado, intimaram-no a assiná-la provando ser um verdadeiro Santo

7.ª estrofe:
Que, colocada a folha de papel na mesa, o Braço cortado pegou na pena e, molhando-a no tinteiro, assinou o nome Francisco Xavier

8.ª estrofe:
Que, por alto e insondável mistério, fazendo da esteira sua loba, o Santo optou ficar no Convento do Bom Jesus

9.ª estrofe:
Que, seu Barrete e suas vestes sacerdotais, cintilam matizados de pérolas e pedras preciosas

10.ª estrofe:
Que Xavier, filho da Castela, tem o Santo Corpo em Goa mas sua Alma evolou-se para o céu

11.ª estrofe:
Que o Rei de Goa e nosso S. Francisco Xavier, repousa no Sepulcro encimando um altar do Bom Jesus.

 

Túmulo em Velha Goa

O corpo de S. Francisco Xavier está hoje na Basílica do Bom Jesus em Velha Goa. A sua urna é exposta de dezem dez anos publicamente na Sé Catedral. O dia de S. Francisco Xavier celebra-se a 3 de Dezembro de todos os anos. O corpo do santo encontra-se miraculosamente bem conservado, faltando-lhe contudo um braço (ver Hino).Milhares de fiéis de todo o mundo

Na segunda fotografia pode observar a autêntica romaria que de dez em dez anos se dirige a Velha Goa e à Sé Catedral para pedir protecção ao Santo Padroeiro de Goa. De todo o mundo vêm cristãos e são também muitos os hindus que veneram S. Francisco Xavier.

Corpo do Santo