Cronologia

Tabela Cronológica


O passado histórico de Goa é vastíssimo. Não se resume aos quase 500 anos de permanência portuguesa, mas com ela adquiriu uma especial identificação e como tal distingue-se muito especialmente do resto da Índia.
Goa sempre foi uma “pérola” no Oceano Índico e uma região cobiçada por diferentes povos, devido à sua localização estratégica e prosperidade em recursos naturais e também devido a uma extensa rede de comunicação fluvial com o interior pelos rios Tiracol, Chaporá, Mandovi e Zuari.

Ano Acontecimento
cerca de 2000 anos a.C. Colonos neolíticos estabelecem-se nas zonas costeiras de Goa em grutas. Dedicam-se à agricultura e à criação de gado. Produzem objectos em cerâmica e trabalham com ferramentas em pedra; o metal é-lhes desconhecido.
cerca de 500 anos a.C. As “Purânas” (velhas escritas sagradas) relatam que Vishnu (deus hindu) na sua sexta encarnação teria conquistado a terra Gomanta (Goa) ao mar e a teria colonizado com tribos arianas e brâmanes. Esta descrição mítica não pôde ser provada pela arqueologia.
séc. 3 a.C. Supõe-se que Goa tenha estado integrada no reino do grande Ashoka sob o nome de Aparanta (sign. “para lá das fronteiras”). Interpretando escritas em rochas, chegou-se à conclusão de que dinastias como a dos Bhojas em Chandrapur (hoje Chandor) dominavam a zona costeira do Concão seguindo as regras do rei Ashoka.
séc. 8 – 11 Krishna I entrega ao seu vassalo dos Silharas a região de Goa. Os Silharas tornam em ca. de 250 anos Goa num centro florescente do comércio marítimo com a península arábica.
973-1162 Os Kadambas conquistam Goa. O seu líder Sashtadeva I estabelece-se em Chandrapur (Chandor), a velha capital dos Bhojas. Baptiza o seu novo reino de Gopakkapattana. Pela primeira vez, Goa torna-se numa região politicamente autónoma que é governada separadamente do resto do Konkan.
ca. de 1049 Os filhos de Sashtadeva II (ca. 1008-42) , que tinha consolidado o comércio marítimo com Zanzibar, Bengala e Ceilão, transferem a capital de Chandrapur para Gopaka/Govapuri (hoje Goem/Goa Velha). Govapuri desenvolve-se rapidamente numa cidade próspera com templos, palácios e muitas insituições sociais financiadas pela casa reinante.
1310-67 Os Iadavas – que tinham invadido Goa em 1237 – são expulsos pelos muçulmanos do sultanato de Deli. Kamadeva, cunhado de um ex-rei Kadamba, consegue a soberania de um parte do ex-reino Kadamba, mas desiste da capital Gopaka/Govapuri que tinha sido destruída pelas forças mouras. Volta então para Chandrapur.
1347 O Afgão Ala-ud-din Hasan cria a dinastia dos Bahmani de Gulbarga (1347-1489). Esta dinastia será a maior oposição ao reino de Vijayanagara no Decano e no Konkan.
1356 O Afgão Ala-ud-din Hasan cerca Goa.
1358-75 Mahmud Shah Bahmani I (muçulmano) persegue a religião hindu. Muitos hindus são obrigados a fugir de Goa.
1370 Os muçulmanos são expulsos de Goa pelo hindu Harihara I do império de Vijayanagar que então dominava a região de Goa.
1380 Madhav, ministro do rei de Vijayanagar, fortalece Goa contra a ameaça muçulmana. Durante quase 100 anos a casa reinante de Vijayanagar nomeia vice-reis para Goa. Os portos, o comércio marítimo e os pólos comerciais de Goa garantem a importação de cavalos árabes, e ao mesmo tempo, estes funcionam sob influência directa da grande dinastia hindu.
1472 Os muçulmanos da dinastia de Bahmani reconquistam Goa ao império hindu de Vijayanagar.
1489 Yusuf Adil Shah de Bijapur cria a casa reinante de Bijapur. A dominância da dinastia dos Bahmani em Goa enfraquece. Belgaum (cidade a noroeste de Goa), Goa e regiões vizinhas caem no poder de Yusuf Adil Shah. Govapuri é feita segunda capital.
1488 Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança
1498 Vasco da Gama chega a Calicut. O monopólio árabe do comércio marítimo sofre um duro golpe.
1502 Segunda expedição de Vasco da Gama para a costa ocidental indiana. Uma feitoria em Cochim e uma fortificação em Cannanore são o resultado de relações diplomáticas com os Rajas. Os Rajas esperavam poder contar com o apoio dos portugueses na luta pela sua independência do soberano de Calicut. Afonso de Albuquerque fica a comandar um dos barcos que são deixados para controlar a costa.
1510 Afonso de Albuquerque alia-se com Krishna Deva Raja de Vijayanagar contra os reinantes muçulmanos de Calicut e Bijapur. Em fins de Fevereiro de 1510 Afonso de Albuquerque conquista a actual Panjim e Ela (hoje Velha-Goa) sem encontrar grande resistência. Depois da morte de Yusuf Adil Shah, é o ministro de estado Kamal Khan que toma conta da casa de Bijapur. Kamal Khan ordena a reconquista de Goa. As suas tropas conseguem fazer retirar os portugueses para os seus barcos, mas com o apoio de novas embarcações chegadas de Portugal, Afonso de Albuquerque consegue depois de alguma luta entrar em Ela (Velha-Goa) no dia de St.ª Catarina, designada a padroeira de Goa (25.11.1510).
1512 Afonso de Albuquerque conquista mais um bastião dos Bijapurs (Banastarim) e reforça a fortaleza existente.
1515 Ormuz passa para os portugueses e consolida-se assim a posição privilegiada de Portugal no Mar Árabe. Depois da sua vitória em Ormuz Afonso de Albuquerque falece em Goa. Em 1556 os seus restos mortais são levados para Lisboa.
1534 Os portugueses conquistam Diu; Goa é feita capital do império português na Ásia.
1542 O co-fundador da Ordem dos Jesuítas, Francisco Xavier, visita Goa por dez meses, antes de partir para outras viagens missionárias para China e outros lugares asiáticos.
1543 Os distritos de Salcete e Bardez passam para os portugueses, depois da derrota infligida a Ibrahim Adil Shah.
1556 Os jesuítas estabelecem a primeira impressora de toda a Índia em Goa. São impressas escritas de Francisco Xavier, obras de Luís Vaz de Camões, uma gramática de Concanim e textos bíblicos traduzido para Marati e Concanim.
1557 Macau entra para o domínio dos portugueses. Goa torna-se arcebispado.
1560 É introduzida a Inquisição em Goa.
1580-1640 Portugal é anexado à Espanha. Os holandeses aliciam diversas possesões portuguesas na Ásia. Em 1603 os holandeses bloqueiam infrutiferamente Goa. Portugal perde diversos pontos comerciais para outras potências europeias. É o início da decadência da “cidade dourada” de Velha-Goa.
1695 Transferência da residência do vice-rei de Velha-Goa para Panelim (entre Velha-Goa e Pangim).
1737-39 Conflito militar com os Maratas. Margão é ocupada pelas tropas maratas. O recuo das forças ocupantes e um acordo de paz são comprados por somas avultadas de dinheiro.
1759 O vice-rei muda-se para o Idalcão em Pangim.
1774 O Marquês de Pombal abole a Inquisição em Goa.
1778 D. Maria I volta a introduzir a Inquisição.
1797-1813 Napoleão planeia ocupar Goa com ajuda do sultão Tipu. Os ingleses ofereçem ajuda às forças portuguesas. Diversos fortes são tomados pelos ingleses.
1814 É reabolida a Inquisição.
1821-35 A monarquia parlamentar permite a Goa que passe a ser representada por seis deputados no parlamento português.
1843 Pangim é declarada capital de Goa.
1881 Começo da construção dos caminhos-de-ferro em Goa, dos primeiros na Índia, ligando a cidade portuária de Mormugão à fronteira do interior com a Índia Inglesa.
1910 Revolução em Portugal (5 de Outubro). É proclamada a República. Estado e Igreja são separados. Também em Goa entra em vigor a liberdade religiosa.
1933 António Oliveira Salazar torna-se chefe-de-estado português. É o Estado Novo.
1947 Independência da Índia.
1961 Em 18/19 de Dezembro tropas indianas invadem os teritórios de Goa, Damão e Diu.
1967 Os goeses votam contra a integração no estado de Maharastra e a favor do estatuto de Território da União.
1986 O Papa João Paulo II visita Goa. Meio milhão de pessoas assistem a este acontecimento.
1987 Goa torna-se no 25º e mais pequeno e mais recente estado indiano.