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maxymouse7524

Encontro anual junta goeses beirenses

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Realiza-se no próximo dia 20 de Maio o VI Encontro dos Beirenses, reunindo goeses oriundos ou com laços de amizade com a cidade da Beira e Moçambique. Esperam-se quatro centenas de pessoas para recordar tempos passados e sortear uma viagem para Goa.

Estes convívios iniciaram-se há cerca de seis anos atrás, por iniciativa de um grupo de goeses oriundos da Beira/Moçambique. Apesar de serem uma iniciativa de pessoas que residiram na ex-colónia, foi sendo alargado a familiares, amigos e a todos os goeses e seus descendentes que residem em Portugal.

Enquanto que nos últimos anos estiveram mais de 300 pessoas, este ano, segundo declarações de Reinaldo Sá (um dos coordenadores do evento) esperam-se “cerca de 400 pessoas” e deverá ultrapassar assim as expectativas da comissão de festas.

O encontro realiza-se na Quinta da Valenciana, em Fernão Ferro e o extenso programa inclui aperitivos, um vasto jantar e uma ceia, para além de música ao vivo e som de discoteca, a oferta de uma lembrança a todos os presentes, bem como animação diversa.

Sorteio de viagem para Goa

O prato forte será, no entanto, o sorteio de uma viagem aérea ida e volta para Goa (sem taxas aéreas), uma oferta com o apoio da Agência de Viagens Sagres. O evento conta também com o apoio do restaurante Sabores de Goa (Anjos, Lisboa) e do Café Oriental (Amadora).

As inscrições estão abertas até finais deste mês, a preços de 35 Euros (adultos), 28 Euros (estudantes) e 16 Euros (crianças dos 6 aos 10 anos de idade). Após 1 de Maio, acresce uma taxa de três Euros.

Laços antigos e divisões novas

Assim, estes convívios são motivos de reencontros de pessoas que não se vêem ha algum tempo devido ao seu dia a dia em Portugal, e servem para relembrar o passado em Moçambique.

Reinaldo Sá lembra ao Supergoa.com que “a ideia surgiu por parte de um grupo que relembra os bons tempos passados nas associações goesas existentes na altura, em que as pessoas se encontravam com alguma facilidade e com frequência, o que hoje dificilmente acontece em Portugal”.

Recorda, por exemplo, clubes como CRIP-Centro Recreativo Indo Português, o Centro Recreativo Operários Goeses e o Gabinete de Leitura

Inquirido sobre os maiores desafios que encontra entre a comunidade goesa, refere que “é a divisão que continua a suceder em Portugal, já com vários clubes e associações que, em vez de se unirem, dividem a comunidade goesa”.

 

Selecção portuguesa de futebol conquistou Goa

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O Mundial de Futebol que se realiza há três semanas na Alemanha também tem feito bater os corações goeses com mais emoção. Por todo o estado, apoiava-se o Brasil e Portugal. Depois da eliminação dos sul-americanos, a ligação lusófona de Goa está agora por inteiro com Portugal.

Repete-se o fenómeno de há dois anos, quando milhares de goeses exprimiram publicamente o seu apoio durante a campanha de sucesso da selecção portuguesa no Europeu de Futebol, até à final. Nessa altura venderam-se centenas de camisolas e bandeiras portuguesas e os jogos foram seguidos com grande fervor, de madrugada, pela televisão e pela rádio.

Agora, com as cinco vitórias consecutivas de Portugal na Alemanha, voltam a emergir as emoções futebolísticas dos goeses pelo “team” de Scolari. Com um rival, no entanto. Até Sábado passado, havia também muitos goeses, talvez mesmo uma maioria, que apoiava os brasileiros. Com a elminiação de Ronaldinho e Companhia, o apoio está agora incondicionalmente com os portugueses.

Novas e velhas gerações unidas

Para as gerações mais velhas o apoio a Portugal não é coisa nova. Desde antes de 1961 que seguem, sem falha, o futebol português, tanto os clubes como a selecção nacional.

António Jerome DSouza, 51 anos e gerente de um hotel, lembra que “na época colonial éramos governados pelos portugueses e lembro esses tempos com saudade”. E adiciona: “acho que é porque partilhamos a mesma natureza”.

O fenómeno mais surpreendente, é, no entanto, o apoio a Portugal entre os mais novos. “Eu rezei para que Portugal ganhasse à Inglaterra”, disse Sam Dias à Reuters, de 17 anos de idade, enquanto se apressava para ir para a Praia de Calangute, no Norte de Goa, para comemorar a vitória com outros amigos.

“O meu amor por Portugal não se deve só à nossa história. Eu adoro a maneira como eles jogam futebol, especialmente o Luís Figo e o Cristiano Ronaldo”, confidenciou o estudante, ele mesmo um ávido praticante do desporto-rei.

Esta onda de apoio aos portugueses não é algo inédito. Mas o que é novo é ter passado a público. Se nas décadas passadas se assistia aos jogos na privacidade do lar e dos clubes, agora já se vêem os jogos ao ar livre, em bares e celebra-se sem pudor as vitórias portuguesas na rua. Foi o que aconteceu depois da vitória com a Holanda, e novamente depois do sucesso perante a Inglaterra. O apoio a Portugal não conhece barreiras religiosas – hindus, católicos e muçulmanos saíram juntos às ruas em Margão, Panjim e Calangute para celebrar o sucesso da selecção das quinas.

Também a liberalização da comunicação social indiana tem ajudado. Os jornais têm dedicado grande espaço ao futebol, e as cadeias internacionais de televisão transmitem todos os jogos do Mundial em directo.

Tentativa de ignorar Portugal

Mesmo assim, tem sido nota constante a comunicação social ignorar o apoio a Portugal, reflectindo o políticamente correcto que ainda impera nos media goeses e o medo de serem alvos de pressão de alguns poucos movimentos anti-portugueses.

Durante três semanas, o destaque desportivo e de reportagem nos principais jornais de Goa foi inteiro para o apoio aos brasileiros. Foram só as agências internacionais e alguns media de Nova Deli que cobriram o sentimento de apoio a Portugal entre os goeses. Agora, com a eliminação do Brasil, tornou-se impossível continuar a ignorar a “pista lusófona” do futebol português em Goa.

O ex-internacional indiano Camilo Gonsalves disse ao Heraldo que “a derrota do Brasil deixou-nos todos entristecidos, mas a festa continua. Portugal ainda está vivo e vamos apoiá-los”.

Mas quem mais tem dado nas vistas nas ruas de Panjim e Margão, é Margarida Távora e Costa. Fluente em português e funcionária numa agência de viagens, gere com o marido o conhecido Restaurante Nostalgia, com típica comida goesa e portuguesa, no Sul de Goa, em Raia. Margarida não deixa passas as vitórias do futebol português em branco, nem se deixa intimidar pelas minoritárias correntes anti-portuguesas que ainda existem em Goa.

Vestida a rigor, com um fato especialmente desenhado pelo seu costureiro, Margarida também decorou completamente o seu carro amarelo. Tem, por isso, atraído as atenções da comunicação social indiana que a tem entrevistado nos últimos dias.

“Falámos-lhes do jogo, cantámos o hino etc. É a nossa maneira de demonstrar o sentimento de pertença a Portugal”, refere, antes de se despedir com um “Boa sorte e vamos manter os dedos cruzados. Esperamos que S. Francisco Xavier e Nossa Senhora de Fátima oiçam as nossas rezas”.

Cooperação em reforço

Recorde-se que os últimos anos têm registado renovada cooperação desportiva entre Portugal e Goa, por via da Dr. Susana de Sousa, directora para os assuntos desportivos e de juventude no Governo de Goa, a Associação de Futebol de Goa, a Universidade do Porto e o Comité Olímpico Português.

Vários acordos de cooperação foram assinados, especialmente no capítulo da formação futebolística para treinadores e as camadas jovens goesas. Há igualmente notícia de alguns jogadores portugueses e lusófonos a jogar por equipas goesas, participando nas ligas estaduais e nacionais de futebol, bem como de jovens jogadores goeses em formação em Portugal.

Manoharrai Sardessai (1925-2006)

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Faleceu ontem à noite um dos mais prestigiados e respeitados nomes da literatura goesa. Sardessai, doutorado em Paris e fluente em português, dedicou uma vida inteira à poesia, prosa e língua Concani, deixando para trás vasta obra e um grande legado como activista e defensor da “amchi bhas”.

 

(Imagem: Cortesia Goa Konkani Academi)

Conhecido também como ‘Lok-Kavi’, Manoharrai Sardessai faleceu depois de um breve período de doença, encontrando-se hospitalizado em Panjim. Aos 81 anos de idade, deixa para trás a sua mulher, dois filhos e uma filha. O cortejo fúnebre sai amanhã ao fim da manhã de sua residência, em Sta. Inez, para o crematório local.

Educação internacional

Natural da aldeia de Savoi-Verém, na taluka de Pondá, Sardessai era filho de outro grande nome da literatura goesa, o falecido Lazmanrao Sardessai. Depois dos seus estudos escolares em Goa, seguiu para completar a sua pós-graduação em francês e marata na Universidade de Bombaim.

Daí seguiu para Paris, onde completou o seu doutoramento, com distinção, na Universidade de Sorbonne. A sua tese, com vastas referências a Portugal e a Camões, teve como título “A imagem da França na Índia”. De volta à Índia, ocupou diversas posições académicas, incluindo director do Departamento de Francês na Universidade de Goa.

Vasta obra

Sardessai distinguiu-se, no entanto, pela rica obra que deixa na língua de Goa, o concani. Pela sua colecção de poemas “Pissolim” (1980) recebeu mesmo a mais alta distinção cultural indiana, o “Sahitya Academy Award”, entre diversas outras condecorações e prémios indianos e internacionais.

Também na vida do dia-a-dia, Sardessai é presença contínua em Goa. As crianças aprendem cedo, na escola, o seu poema “Hadvotall Bebo, Shetamerer Ubo”, e o seu poemta “Hi Lokshai” retrata de forma sarcástica o actual sistema político.

Outras obras literárias a seu crédito são: Aiz Dholar Padli Badi, Goeam Tujea Moga Khatir, Jaipunyabhu Jai Bharata and Bebyache Kazar, Zaio-Zuio, Pissolim, Bhangrachi Kurad, Mankuli Geetam, Manohar Geetam e God God Geetam.

Outros trabalhos são Aamchi Bhas Aamkam Jai, Shenoi Goembab, Sahitya Suvad, Jaducho Kombo, Vivekanand e Devachim Utaram. Sardessai também escreveu algumas peças para teatro, como Smuggler e Birad Badallem, bem como antologias e mesmo músicas, também em inglês.

A sua obra-prima em termos de investigação é “A History of Konkani Literature: From 1500 to 1992”, uma monografia sobre a história da literatura goesa em concani.

Sardessai em Paris, 1985

Activista

Sardessai nunca se restringiu à pena. Foi um dos grandes activistas pela língua concani, presidindo mesmo à oitava edição da “All-India Konkani Conference”, realizada em Margão, poucos meses depois da invasão indiana de Dezembro de 1961.Também editou a revista “Saad” e o jornal “Novem Goem”. Foi o presidente de uma das principais instituições a favor da língua concani, a “Konkani Bhasha Mandal”.

O seu contributo mais activista foi, no entanto, na vanguarda do movimento que defendeu o estatuto oficial para o concani em Goa, a partir dos anos sessenta. Esteve também politicamente envolvido no referendo de 1967, quando os goeses rejeitaram por maioria a integração do seu território no estado vizinho de Marástra.

Ligação a Portugal

Sardessai, para além da sua tese com referências a Portugal e de dominar a língua de Camões, sempre teve uma forte ligação a Portugal. Participou na obra editada pelo Museu Nacional de Etnologia “Histórias de Goa” (1997) e colaborava com este site, especialmente para a Crónica das Fontainhas a cargo de Fernando do Rego.

Foi também neste espaço que se publicaram alguns dos seus poemas traduzidos para português, como “A Manga de Goa” e os manuscritos do seu poema em língua francesa “Adieu Paris”.

Era também presença frequente no Boletim da Casa de Goa, onde, após tradução de Jorge de Abreu Noronha, foi publicado o seu poema “Minha Goa”.

 

Ponte sobre o Zuari em perigo

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Ponte sobre o Zuari em perigo

A ponte sobre o Rio Zuari encontra-se mais uma vez envolta de polémica, depois de ter sido encerrada ao tráfego veicular no passado dia 16. Desde que foi construída em 1983 que as fissuras e ameaças de derrocada têm sido repetidas. Há agora acusações de corrupção que recaem sobre o Governo de Goa.

A ponte sobre o Rio Zuari, construída em 1983, é o principal eixo rodoviário que liga a faixa costeira de Goa entre Norte e Sul, e a capital política Panjim à capital económica de Margão. Com 627 metros de comprimento, é a maior ponte de Goa.

O encerramento no dia 16 deveu-se à identificação de novas fissuras nos cinco pilares que sustentam a ponte. O tráfego foi completamente interrompido e gerou-se o caos entre os milhares de veículos que diariamente atravessam a ponte.

Embora ferries tenham sido postos à disposição, estes não puderam entrar em serviço imediatamente, faltando dragar as margens do rio para estes aportarem em segurança. Actualmente, estão interditos de atravessar a ponte os veículos pesados com mais de seis toneladas.

A ponte atravessa o Rio Zuari sobre o seu estuário, e o terreno lodoso nas duas margens é apontado como uma das causas pela instabilidade da estrutura.

Acusações de corrupção

Ponte sobre o ZuariA impaciência e o descontentamento popular fizeram eco na comunicação social. Jornalistas têm investigado a adjudicação da obra e descoberto diversos casos de corrupção, entre os responsáveis governamentais no poder na altura (do Partido do Congresso), o departamento de engenharia civil estatal (PWD) e as empresas que forneceram a matéria prima para a construção.

A pior acusação prende-se, no entanto, com a localização da ponte. Na década passada foi construída uma nova ponte ferroviária a poucas centenas de metros a jusante da ponte rodoviária. Esta não tem apresentado qualquer problema.

Jornalistas têm procurado investigar porque é que a construção da ponte rodoviária, nos anos 80, não se realizou naquela trajectória sobre o rio.

Recorde-se que o tráfego rodoviário sobre a Ponte do Zuari esteve completamente interrompido, por vários meses, em 1997, e  que em 1999 uma empresa de Bombaim fez novas reparações, no valor de quase um milhão de Euros.

O ministro-chefe de Goa, por seu lado, já se apressou a anunciar que está previsa a construção de uma nova ponte, mas que só entrará em serviço daqui a quatro anos.

 

 

Encontro anual junta goeses beirenses

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Realiza-se no próximo dia 20 de Maio o VI Encontro dos Beirenses, reunindo goeses oriundos ou com laços de amizade com a cidade da Beira e Moçambique. Esperam-se quatro centenas de pessoas para recordar tempos passados e sortear uma viagem para Goa.

Estes convívios iniciaram-se há cerca de seis anos atrás, por iniciativa de um grupo de goeses oriundos da Beira/Moçambique. Apesar de serem uma iniciativa de pessoas que residiram na ex-colónia, foi sendo alargado a familiares, amigos e a todos os goeses e seus descendentes que residem em Portugal.

Enquanto que nos últimos anos estiveram mais de 300 pessoas, este ano, segundo declarações de Reinaldo Sá (um dos coordenadores do evento) esperam-se “cerca de 400 pessoas” e deverá ultrapassar assim as expectativas da comissão de festas.

O encontro realiza-se na Quinta da Valenciana, em Fernão Ferro e o extenso programa inclui aperitivos, um vasto jantar e uma ceia, para além de música ao vivo e som de discoteca, a oferta de uma lembrança a todos os presentes, bem como animação diversa.

Sorteio de viagem para Goa

O prato forte será, no entanto, o sorteio de uma viagem aérea ida e volta para Goa (sem taxas aéreas), uma oferta com o apoio da Agência de Viagens Sagres. O evento conta também com o apoio do restaurante Sabores de Goa (Anjos, Lisboa) e do Café Oriental (Amadora).

As inscrições estão abertas até finais deste mês, a preços de 35 Euros (adultos), 28 Euros (estudantes) e 16 Euros (crianças dos 6 aos 10 anos de idade). Após 1 de Maio, acresce uma taxa de três Euros.

Laços antigos e divisões novas

Assim, estes convívios são motivos de reencontros de pessoas que não se vêem ha algum tempo devido ao seu dia a dia em Portugal, e servem para relembrar o passado em Moçambique.

Reinaldo Sá lembra ao Supergoa.com que “a ideia surgiu por parte de um grupo que relembra os bons tempos passados nas associações goesas existentes na altura, em que as pessoas se encontravam com alguma facilidade e com frequência, o que hoje dificilmente acontece em Portugal”.

Recorda, por exemplo, clubes como CRIP-Centro Recreativo Indo Português, o Centro Recreativo Operários Goeses e o Gabinete de Leitura

Inquirido sobre os maiores desafios que encontra entre a comunidade goesa, refere que “é a divisão que continua a suceder em Portugal, já com vários clubes e associações que, em vez de se unirem, dividem a comunidade goesa”.

 

Ventos de Goa no Liceu Pêro de Anaia

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Pedro Mascarenhas volta a brindar-nos com a sua veia literária, mas desta vez partilhando memórias e opiniões suas sobre o Dezembro de 1961 que tão fortemente marcou a vida de milhares de goeses em Moçambique. Narra episódios que viveu na cidade da Beira e conclui com um apelo contra o colonialismo.

Seriam mais ou menos 19.30 horas quando o meu pai chegou a casa trazendo uma boa notícia já há muito esperada. Nesse dia o calendário indicava o dia 18 de Dezembro de 1961 e a novidade tinha sido difundida ao mundo inteiro pela prestigiosa rádio inglesa BBC.O poderoso exército indiano ao serviço da maior democracia do mundo iniciara finalmente a guerra de libertação de Goa , Damão e Diu. Era eu aluno do Liceu Pêro de Anaia e tomei conhecimento da notícia naturalmente e sem interrogações sobre o efeito dominó que este facto histórico iria produzir de forma imparável até ao golpe militar em Lisboa em Abril de 1974 e até mais tarde na queda do muro de Berlim. A L.M.-Radio da capital da colónia de Moçambique naquele momento passava músicas do grande Elvis Presley ,tais como Blue Hawaii, King Creole, G.I. Blues e Cant help falling in love.

No dia seguinte 19 de Dezembro como habitualmente dirigi-me ao Liceu, onde frequentava o 2º ano da turma D e localizada no 1º andar no sector masculino. Fi-lo da mesma maneira como todos os dias ,despreocupado, confiante e disposto a enfrentar mais cinco aulas e os respectivos professores, cada um com a sua personalidade. Porém do 1º andar viria uma grande surpresa que iria determinar daí para o futuro de forma serena, inabalável o meu modo de pensar e actuar em ralação à sociedade onde estava inserido. Subitamente e sem qualquer aviso vi-me rodeado por um grupo de alunos de raça branca que gritavam histericamente:

“-Olhem, está aqui mais um indiano. Morte aos indianos.Filhos da p— roubaram-nos a nossa Goa. Vamos partir este gajo ao meio.”

O antigo Liceu Afonso de Albquerque, em Panjim, GoaNaturalmente perante aquele espectáculo “de gente civilizada” assustei-me. Durante segundos fiquei paralisado segurando firmemente a pasta de livros e depois corri até ao parapeito que ficava entre o ginásio e a sala de desenho, e donde se avistava o campo de futebol e a sucursal da Livraria Nacional que servia a clientela dos bairros do Esturro e Matacuane. Os impropérios continuaram ,embora ninguém ousasse tocar-me, até que o David da minha turma numa intervenção enérgica pediu moderação convencendo-os que eu não era indiano mas goês.(Eu pessoalmente nunca fiz distinção entre goeses e indianos porque afinal goeses são indianos, tal como os portugueses são europeus apesar da ideologia do “orgulhosamente sós”.)

Os ânimos exaltados dos pequenos fascistas pareceram serenar-se pouco a pouco até ao momento exacto em que a sirene emitiu o som estridente indicando o início da primeira aula. Aquela turba assemelhava-se a um bando de hienas selvagens e irracionais à volta de uma presa indefesa e inocente prestes a ser devorada. Rigorosamente mais pareciam crias das hienas cujos progenitores lhes tinham incutido determinada educação e que estes por seu turno olhavam com admiração o patrão que tinha criado o Apartheid na Zuid Afrika.

O resto da manhã contudo não foi pacífico principalmente para os colegas das religiões muçulmanas e hindus. O hindu Kakoobai foi agredido e de tal maneira humilhado que meses depois abandonava definitivamente o liceu comprometendo o seu futuro.

“Ventos da História” foi uma frase histórica proferida por um diplomata na ONU referindo-se ao fim da era colonial. Eram ventos imparáveis que já estavam a esculpir novas nações em África e na Ásia e só os ignorantes campónios não descortinavam essa mudança.

“Ventos de Goa” nesse dia sopravam e agitavam as águas turvas e lamacentas do Liceu Pêro de Anaia e afinal todo o império colonial.

A fúria dos colonizadores e o desejo de vingança (em termos militares felizmente nunca concretizado até hoje) continuaram no dia seguinte e foi-nos comunicado pela professora de francês, a velha “Drácula” como era conhecida.

 

II

A fúria dos colonizadores prosseguiu na manhã seguinte com uma concentração “popular e espontânea” à entrada do edifício do Governo Civil, localizado entre a livraria Spanos e a casa Dimitrious, junto à muralha.

Nesse dia a professora de francês de alcunha Drácula comunicou-nos que estava marcada uma manifestação de desagravo e, por consequência , todos os estudantes obrigatoriamente teriam de dirigir-se por todos os meios para aquele local.

Lamparina do Templo de Manguexi, em GoaMontado na minha bicicleta “Rudge Sport” e na companhia do chinês Kiang e do muçulmano Mussa ,os três pedalamos em direcção à baixa. Quando passamos por uma zona residencial uma dona de casa que estava à janela, tal como os vizinhos, gritou: “- Lá vai um Nehruzinho…”. O Mussa talvez por ser muçulmano sentiu-se atingido e ripostou com violência verbal: “-O quê? Você conhece-me de algum lado? Sua filha da p—-!!!.” Perante a nossa gargalhada e surpresa dos vizinhos a “labrega” rapidamente recolheu os dois filhos e fechou a janela.

Quando atingimos o Hotel Embaixador separámo-nos. Eles foram para as suas casas e eu deixando a bicicleta encostada num passeio caminhei até a rua “dos monhés” como diziam os racistas por ignorância. Monhé significa descendente de pai árabe e mãe negra e não tem nenhuma relação com o povo indiano. Os monhés estão concentrados em grande número no norte e parte oriental de África(Sudão, Somália etc.).Na rua Correia de Brito tive a sorte de cruzar com o meu amigo Joaquim Rodrigues Monteiro, o único negro comandante de Bandeira da Mocidade Portuguesa. Ali constatámos que uma significativa presença de soldados armados (com a velha Mauser) guardavam as lojas dos indianos que apresentavam vidros partidos .Um deles abordar-nos-ia ,por estarmos a conversar, e de forma arrogante mandou-nos circular.

Mais tarde quando cumpri o serviço militar obrigatório compreendi a atitude daquele soldado raso. Tive a sorte de ser Oficial de Exército com a patente de Alferes Miliciano e para quem como eu que leu alguma coisa sobre a psicologia humana pude constatar na prática uma enorme frustração da parte dos praças ,soldados e cabos, que sentiam uma premente necessidade de afirmação a qualquer preço.

Na tal concentração marcaram presença mais estudantes que adultos e os discursos proferidos eram banais e repetitivos papagueados por várias entidades entre os quais dois “voluntários”, sendo um negro e um dito goês.

Mais tarde ocorreram muitos incidentes e dos quais destacarei dois.

Num dado dia o professor de Desenho ,o arq. Ramalhete, comunicou-nos que o desenho era livre. Ocorreu-me ,então que na mala trazia alguns cromos da colecção Os Piratas e decidi desenhar e pintar uma caravela dos Flibusteiros (piratas das Caraíbas do sec.XVII e XVIII). As minhas notas nessa disciplina oscilavam normalmente entre os 14 e os 16 valores, pois nesse dia quando uma hora depois apresentei-lhe o meu trabalho a sua reacção foi diferente. Quando me questionou, respondi-lhe que tinha desenhado uma caravela de piratas.

Depois de ter rabiscado um “medíocre mais” na folha vociferou :”-Pirata é o sr. Nehru.”

Estaria ele a pensar no Vasco de Gama(r) ?- pensei eu furioso.

Agora imaginem só, Jawaharlal Nehru companheiro de Mahatma Gandhi, que disse aos ingleses não à colonização e à escravatura, dirigente da maior democracia do mundo e eleito também democraticamente era um patife. Salazar, o ditador provinciano e chefe do partido único União Nacional e da criminosa Pide era um modelo a seguir! Com que facilidade as mentes provincianas deturpam a verdade. Os seus cérebros primitivos não descortinavam o bem do mal, o certo do errado, a verdade da mentira e os factos históricos das manipulações subjectivas . Por razões puramente políticas eu apanhara uma negativa no desenho!

Penso que ser objectivo é próprio de pessoas civilizadas e cultas. Hoje muitos dos meus amigos de infância vindos de Moçambique compreendem o porquê das diferenças no seio da União Europeia. A Europa a duas velocidades ,o norte rico e desenvolvido e o sul pobre e atrasado. As diferenças patentes entre Mumbay (ex-Bombaim) influenciada pelo mundo anglo-saxônico e Goa. As ex-colónias inglesas como Estados Unidos, Canadá, Austrália ,Nova Zelândia, a própria África do Sul (apesar do apartheid) e a Rodésia dos anos 60 que estavam e estão à anos luz de Angola , Moçambique e do Brasil (actualmente a recuperar bem estando em 14º no ranking dos 20 mais industrializados).

 

III

O Sr. Albuquerque era proprietário de uma alfaiataria na Beira e como o negócio não ia de feição mudara-se para Vila Pery, onde já se encontrava nesse dia de 19 de Dezembro. A sua esposa e o seu único filho foram deixados em Goa por razões económicas.

Todos os goeses o conheciam como sendo pessoa sempre bem disposta e faladora e um dos fundadores do Clube Desportivo dos Operários Goeses. Aos fins de semana vinha à Beira para reencontrar velhos amigos. Nesse dia nessa vila emitiu muito naturalmente a sua opinião favorável à Índia perante uns clientes fascistas que o denunciaram à Pide. A sua opinião ajustava-se a situação que se vivia em Goa.

Praia de PalolemGoa durante o regime colonial tinha testemunhado uma existência miserável e as cartas que ele recebia da esposa confirmavam isso. Até os intelectuais e padres católicos que se opunham ao regime de Salazar eram presos e deportados para Tarrafal, Trafaria etc. Exemplo disso é T.  B.Cunha, fundador do partido do Congresso Indiano (ramo goês do Congresso de Nova Delhi).Mas o peso maior da opressão fazia-se sentir junto da comunidade hindú. Toda a gente em Goa punha a seguinte pergunta “se em Bombaim ninguém era preso por divergências de opiniões porque não estender essa democracia até cá”. O governo democrático da Índia por inúmeras vezes tentou convencer os senhores de Lisboa mas estes não admitiram qualquer diálogo ou conversações como fizeram os franceses em 1954 em Pondicherry (conjunto de territórios nos estados indianos de Kerala e Tamil Nadu que formavam a colónia francesa na Índia).

Pois o Sr. Albuquerque nos fins de semanas seguintes não compareceu nos encontros marcados e como o gesto de telefonar ainda não estava muito divulgado, um dos amigos tomou a decisão acertada de ir pessoalmente a Vila Pery onde constatou o seu desaparecimento. Indagou junto das pessoas conhecidas e ninguém, incluindo a polícia, ousou explicar a sua situação. Regressado o amigo à Beira diligenciou-se junto das pessoas influentes que acabaram por solver o enigma.

O Sr.Albuquerque tinha sido preso pela PIDE e enviado para a cadeia da então cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo).

Esteve preso durante vários meses e nunca foi julgado. Quando foi libertado vinha magro, abatido e adoentado. Com o apoio de amigos partiu para Goa onde veio a falecer. Os que em Vila Pery o denunciaram viveriam felizes até ao 25 de Abril de 1974 e depois disso não foram felizes nem tiveram muitos filhos e nem viveram muitos anos como naqueles contos de fada.

É curioso verificar o manto de silêncio que cobriu este caso junto dos seus conterrâneos. Como os colonos sabiam que objectivamente não podiam vingar-se da derrota humilhante sofrida na Índia, então só lhes restava vingar-se em Moçambique, a única colónia africana que albergava um grande número de indianos. Nos dias seguintes, um largo número de hindus, homens, mulheres e crianças, foram levados a um campo de concentração. Primeiro no bairro de Maquinino e mais tarde na Manga. Os seus bens foram confiscados e distribuídos ilegalmente entre pessoas corruptas. Hoje sabe-se que o ouro, a prata, as lojas e o respectivo recheio, casas, automóveis e terrenos não foram entregues ao Estado mas distribuídos entre os agentes da Pide, adeptos da União Nacional e outros “amigos”. Meses depois os detidos foram expulsos de Moçambique praticamente só com a roupa que traziam no corpo. Recordo-me muito bem da alegria que sentiram alguns colegas do Liceu Pêro de Anaia ,incluído os ditos goeses quando souberam que os mesmos tinham sido expulsos. A desumanidade praticada pelos colonos era enorme. Não devemos temer em dizer que os racistas estavam bem felizes com a miséria alheia. “Os monhés tinham o que mereciam.”- diziam eles.

 

Deus não dorme. Nunca dorme. Quem com ferro mata com ferro morre. A maior parte de camponeses ignorantes desconheciam esse provérbio ou então pura e simplesmente ignoraram-no. Pouco depois do golpe de estado em Lisboa no dia 25 de Abril de 1974 a mesma receita foi passada pela Frelimo a muitos desses senhores. Foram expulsos de Moçambique só com a roupa que traziam no corpo depois da nacionalização das terras. A memória dos povos é curta disse uma vez um filósofo e é verdade. Narram como saíram das colónias mas nunca desvendam o que fizeram aos indianos e aos africanos. Relatam o que POSSUÍRAM mas nunca revelam o que NÃO TINHAM quando desembarcaram nas colónias. Nesse aspecto são mais autênticos os emigrantes que demandaram as terras francesas e que descreviam a fome e o atraso que deixaram para trás nas suas miseráveis aldeias e que nunca foram objecto de atenção por parte de Salazar.

Ventos da História, ventos de Goa varreram os corredores do Liceu Pêro de Anaia ( Beira ) no dia 19 de Dezembro de 1961e transmitiram a seguinte mensagem:

Em pleno Século XX ninguém admite ser colonizado ou escravizado. Ninguém envia convites para ser colonizado. Se o colonizador for ignorante, teimoso e arrogante há que enfrentá-lo sem receio e determinação.

 

Jogos da Lusofonia com representação goesa

150 150 Super Goa

A Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) anunciou na semana passada ter aceite a candidatura dos Comités Olímpicos da Índia e do Sri Lanka a membros associados. Tal possibilitará a participação de atletas goeses na primeira edição dos Jogos da Lusofonia, a realizar em Macau, em Outubro.

A Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa, reunida hoje em Seul, admitiu como membros associados os Comités Olímpicos da Índia e do Sri lanka permitindo que participem já em Outubro nos primeiros Jogos da Lusofonia.

Em declarações à Agência Lusa, Manuel Silvério, presidente em exercício da ACOLOP e da Comissão organizadora dos primeiros Jogos da Lusofonia, explicou que a associação foi contactada pelos Comités Olímpicos da Índia e do Sri Lanka para que fossem admitidos na ACOLOP.

Reunidos em Seul, à margem da reunião da Associação dos Comités Olímpicos Nacionais, os dirigentes da ACOLOP decidiram atribuir aos seus novos membros o estatuto de associados, semelhante ao que foi atribuído na fundação, em 2004, à Guiné Equatorial.

“Com esta admissão, os Jogos da Lusofonia alargam a sua dimensão às diversas comunidades que falam português no mundo e assumem-se como congregadores de todas essas comunidades”, disse.

O futebol é muito popular em GoaPara Manuel Silvério, a entrada da Índia e do Sri Lanka faz com que a ACOLOP “entre numa nova era e numa nova fase de desenvolvimento que dá possibilidades à associação de crescer não só ao nível das nações como também das comunidades falantes da língua portuguesa”.

Jogos da Lusofonia em Outubro

O mesmo responsável disse também que os Jogos da Lusofonia, que terão lugar em Outubro em Macau, foram tema de debate nas reuniões dos Comités Olímpicos Nacionais o que fez despertar nos dirigentes do movimento olímpico internacional um interesse pela actividade da ACOLOP.

Do programa desportivo constam até ao momento, seis modalidades desportivas: atletismo, basquetebol, voleibol de praia, ténis de mesa, taekwondo e futsal, com o taekwondo e o futsal a serem disputados apenas por selecções masculinas. As modalidades foram aprovadas na 1ª Assembleia-Geral da ACOLOP, realizada em 15 de Agosto de 2004, em Atenas, tendo em conta o objectivo de permitir a participação das selecções olímpicas de todos os membros da associação em cada modalidade.

Tendo em conta o estatuto de associado que assumem a Índia e o Sri Lanka, a Comissão Organizadora dos Jogos da Lusofonia poderá vir a limitar o número de inscrições de atletas destes novos membros.
Com a alteração de hoje, a ACOLOP, criada em 2004 em Lisboa, passa a ter como membros efectivos Macau, Portugal, Angola, Moçambique, Brasil, São Tomé e Príncipe, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste e como membros associados a Guiné Equatorial, Índia e Sri Lanka.

Cooperação desportiva lusófona com Goa

Estádio de Fatorda, em Margão, GoaRecorde-se que os últimos anos têm registado renovada cooperação desportiva entre Portugal e Goa, por via da Dr. Susana de Sousa, directora para os assuntos desportivos e de juventude no Governod e Goa, a Associação de Futebol de Goa, a Universidade do Porto e o Comité Olímpico Português (cujo Presidente, Vicente Moura, é igualmente membro directivo da ACOLOP).

Vários acordos de cooperação foram assinados, especialmente no capítulo da formação futebolística para treinadores e as camadas jovens goesas. Há igualmente notícia de alguns jogadores portugueses e lusófonos a jogar por equipas goesas, participando nas ligas estaduais e nacionais de futebol.

 

Lusofonia celebrou S. Francisco Xavier

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Celebrou-se no passado Sábado, um pouco por todo o mundo, o quinto centenário do nascimento de S. Francisco Xavier, actual patrono da Arquidiocese de Goa e Damão. As cerimónias religiosas e de homenagem ao missionário jesuíta no espaço lusófono estenderam-se da Madeira a Macau. Uma cobertura especial do Supergoa.com.

Em Goa, milhares de pessoas assitiram a uma celebração eucarística ao ar livre, em frente à majestosa Basília do Bom Jesus, que alberga os restos mortais do Apóstolo das Índias. Na sua homilia, o Pe. Vasco do Rego, ex-reitor da mesma basília, recordou que o coração do santo ardia por amor a Cristo, recordando as palavras de Simão, companheiro de Xavier: “Francisco costumava orar efusivamente durante as noites, dizendo ‘Dai-me mais e mais (cruzes e sofrimento), Senhor’”.

Basília do Bom Jesus, GoaEstiveram também presentes na ocasião o Arcebispo de Goa e Damão, Filipe Neri Ferrão, bem como o Arcebispo Emérito, Raúl Gonçalves, ambos educados e fluentes na língua portuguesa.

Durante o ofertório foram colocadas nas mãos dos padres celebrantes uma cópia da bíblia, um crucifixo, obras jesuítas, bem como um livro em português dedicado ao santo e pão e vinho. Mais tarde foi visionado um documentário de vinte minutos sobre a vida e obra de Xavier, que em Goa é conhecido como “Goencho Saib” (Rei de Goa).

Castelo Xavier, 500 anos depois

Castelo XavierTambém o local de nascimento de S. Francisco Xavier, a vila de Castelo Xavier, em Navarra, testemunhou a chegada de milhares de fiéis e de uma missa especial marcando o aniversário, realizada na manhã de 7 de Abril. A celebração eucarística foi presidida pelo enviado especial de Bento XVI, Cardeal Antonio María Rouco Varela. Estiveram ainda presentes o Rei e a Rainha de Espanha, o Núncio Apostólico, mais de 35 bispos espanhóis e representantes do Governo, para além do Prepósito Geral dos Jesuítas, Peter-Hans Kolvenbach.

Paróquia lisboeta graciada com Ano Jubilar

Já o Pe. António Colimão, de origem damanense e actual pároco da Paróquia de S. Francisco Xavier, em Lisboa, também esteve presente com um grupo de peregrinos portugueses e relata que “ficaram encantados com paz e serenidade que inspirava no interior do Templo, e, de certeza no interior de cada coroção: junto do braço de S. Francisco Xavier que se encontrava na Basílica, muito perto de nós, bem como o beijo duma relíquia – falange do dedo do pé do Santo!”.

Anuncia igualmente que foi concedida à sua paróquia, pela Santa Sé, o Ano Jubilar de S. Francisco Xavier, de 07 de Abril de 2006 a 07 de Abril de 2007.

Macau recebe visita ilustre

Na China, o navegador espanhol Álvaro de Marichalar efectuou hoje o percurso entre Hong Kong e Macau numa moto de água, em mais uma acção de comemoração do quinto centenário do nascimento do missionário São Francisco Xavier.

Empunhando as bandeiras de Portugal, Espanha e Navarra, as “três bandeiras da vida de Xavier”, Álvaro Marichalar encontrou-se com o cônsul de Portugal em Macau, Pedro Moitinho de Almeida, e com o bispo da diocese local, D. José Lai.

Sublinhando que a ligação entre Hong Kong e Macau, que demorou cerca de hora e meia, “é a uma pré-etapa” da viagem que pretende realizar entre a antiga colónia britânica e Tóquio, no Japão – país onde S. Francisco Xavier também esteve como missionário – o navegador espanhol, que tem 24 anos de navegação sempre na sua moto de água, referiu a importância de estar a efectuar a viagem no ano do quinto centenário do nascimento de Xavier.

“Há dez anos que ando a preparar esta expedição. Já estive no Sri Lanka, onde andou Xavier, e ontem estive na ilha de Sanchuan onde deixei uma pedra do castelo navarro de Xavier e as bandeiras de Portugal, Espanha e Navarra”, disse.

CTT associam-se às comemorações

Os CTT Correios de Portugal assinalaram a passagem dos 500 anos sobre o nascimento de São Francisco Xavier com a emissão de uma série de selos retratando a missão evangélica do padre jesuíta na Ásia.

A emissão é composta por dois selos, com os valores de 45 cêntimos e um euro e retratam a missão evangélica de São Francisco Xavier nas Índias, tal como aparece retratada nos painéis de azulejos do século XVIII da Capela do Hospital de Arroios, em Lisboa. Da emissão faz, também, parte um bloco filatélico baseado numa pintura de Rubens, de 1618, que está patente no Kunsthistorisches Museum, na Áustria.

Os selos, da autoria de José Brandão e Teresa Olazabal Cabral, tiveram obliterações do primeiro dia a 5 de Abril em Lisboa, Porto, Funchal e Ponta Delgada e emissões de 400 mil exemplares, para o selo de 45 cêntimos, e 250 mil exemplares, para o de um euro. O bloco filatélico, com o valor de 2,75 euros, conhecerá uma edição de 77 mil exemplares.

Livro lançado em Goa

A homenagem dos Correios a São Francisco Xavier ficará completa com o lançamento do livro “São Francisco Xavier – Um Homem Para os Demais”, de Miguel Corrêa Monteiro, no dia 26 de Abril. O livro tem uma versão em inglês que foi apresentada em Goa, numa cerimónia realizada no Hotel Cidade de Goa, com a presença do Cônsul-Geral português no território, Pedro Adão.

Cordoaria recebeu “Festa de Goa”

Adicionalmente a estas emissões, os CTT associaram-se às Comemorações Oficiais dos 500 Anos do Nascimento de S. Francisco Xavier emitindo um Carimbo Especial “Cordoaria – 8 de Abril” para obliterar a Emissão Filatélica. Nesse dia realizou-se uma “Festa de Goa” em homenagem a Xavier, com a actuação de músicas e danças tradicionais goesas pelo grupo Ekvât.

O Doutor Filipe Monteiro apresentou uma palestra sobre a vida e obra do santo, num evento que foi co-organizado pelo Comissariado Geral das Comemorações e pela Casa de Goa, e que contou com a presença do Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros.

A exposição “São Francisco Xavier – A sua vida e o seu tempo” encontra-se patente até dia 15 de Abril, em Lisboa, na Cordoaria Nacional.

O Apóstolo do Oriente

S. Francisco Xavier nasceu a 7 de Abril de 1506, no castelo de Javier, Navarra, Espanha. Ao contrário dos irmãos, que seguiram a carreira das armas, preferiu as letras eclesiásticas. Aos 16 anos recebeu a prima tonsura e, em 1525, rumou a Paris para frequentar a sua afamada universidade.

Aí relaciona-se com Inácio de Loyola, tendo feito com ele os “Exercícios Espirituais” e vindo a fazer parte do grupo de amigos do seu novo mentor, donde sairia a futura Companhia de Jesus, fundada oficialmente em 1540. Em 1537 é ordenado padre. Três anos depois chega à corte de D. João III que pedira ao Sumo Pontífice missionários para pregarem nas terras do seu reino espalhadas pelo mundo.

Em 1541 parte para Goa, onde se dedica abnegadamente à defesa e propagação da fé cristã. Nomeado Superior da Missão do Oriente, que ia do cabo da Boa Esperança à China, após converter os reis de Coulão e Travancor, parte, em 1545, para as Molucas, onde prossegue com afinco a sua missionação. Em 1549 ruma ao Japão, chegando a Cagoxima em Agosto. Nas terras nipónicas lança as bases de várias comunidades cristãs, que haveriam de perdurar por cem anos.

Regressado a Goa, tem como próximo objectivo a evangelização da China. Contudo, não chega a embarcar com a armada que o deveria deixar na ilha de Sanchoão, perto de Macau, e de onde o superior jesuíta esperava alcançar o litoral chinês. No entanto, empreende a expedição noutra nau, desembarcando em Sanchoão, em 1552.

Mas o pregador não irá conseguir concretizar o seu grande objectivo. Adoece gravemente em Novembro e, no maior desamparo, apenas assistido pelo seu criado, morre em 3 de Dezembro. Em 1619, foi beatificado por Paulo V e, três anos depois, canonizado por Gregório XV.

O seu corpo foi transladado para Goa, em 1654, onde é, desde então, objecto de grande culto. As suas relíquias estão na Basílica do Bom Jesus de Velha Goa e são expostas de dez em dez anos para veneração dos fiéis do Apóstolo das Índias.

 

Roman script a must – now or never

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Godfrey J I Gonsalves, writer and social activist, gives us an enrichining insight into the current debate about the official script for Konkani. He looks at the roots of the demand and explains that non-recognition of Roman script Konkani will lead to the alienation of a large section of Goans – from different religious groups and social strata.

There is an ongoing battle for recognition of Konkani in Roman script since June 2005, with a few well meaning persons, and institutions viz the Thomas Stephen Konkani Kendra and Dalgado Konkani Academy spearheading the movement. After “The Goa Daman and Diu Official Language Act 1987” was passed, instead of rejoicing it turned out to be a damp squib.

It was not Konkani written in Roman script, that was recognized but section 2(c) definition of Konkani specified– Konkani  written in Devanagari script. The obvious question on every ones lips — why have these people awoken after nineteen years. The answer is better late then never. The harm that neglect of this issue can cause eventually to Goa and Goans demand that we address to the problem now without mourning the past.

Facts

Who decided that Konkani  would mean only Devanagari script? A question raised since 1987 but there were no answers. The facts then and as of now are the same, that
a) all Goans agree that Konkani is the mother tongue of Goans
b) all Goans write Konkani either in Devanagari (mostly Hindu Brahmins) or  in Roman script (Catholics)
c) for historical reasons some Goans use Marathi, English and Portuguese for communication (in writing) besides Konkani
d) for historical reasons most liturgical services of  Catholics are conducted in Roman script and religious rites of Hindus in Marathi. The mando , dulopods, tiatrs etc have ameliorate the Konkani in Roman script

Despite this there were several myths spread by the protoganists of Konkani “only in Devanagari”. The Convenor of the then Konknni Porjecho Avaz (KPA) and now President of the Goa Konkani Academy told this writer on 20th August 2005 at the office of Goa Konkani Academy at Panaji that at one of the many brain storming sessions of the KPA it was resolved (no minutes of such meeting available) that if  the Catholics accept the Devanagari script for Konkani it would help make the Konkani language the Official language of the state.

Again, if  the Devanagari script for Konkani was accepted  the protoganists of Marathi would slowly fall in line and they would accept Konkani “as their mother tongue” instead of Marathi as otherwise  they were already conversant with the Devanagari script. It was also  Mr Churchill Alemao then UGDP MLA of Benaulim who also  agreed that Konkani would mean only Devanagari script.

While initially the movement for recognition of official language under the banner of Konkani Porjecho Avaz (KPA) was expected to be essentially a peoples movement without interference of politicians they too jumped in the fray and polarized the language issue,  on communal lines for their own nefarious ends.

Politics and politicians step in

Once the politicians stepped in the obvious happened. Three major events pre-Liberation and post Liberation were exploited by politicians to the hilt for their own nefarious end. a) Politically prosyletisation – converting people from Hinduism to Christianity (viz religion of the King of Portugal to be that of its subjects) and Inquisition left an indelible mark on the Goan mindset, but all Goans accept this as an unfortunate historical aberration and while unanimously condemning it maintain an unique level of tolerance albeit only skin deep. Subjugation of the masses by the Portuguese regime perhaps helped create an atmosphere of tolerance but slowly but  surely not any longer post Liberation.

b) The first elections were held for village Panchayats in 1962  and the first Legislative Assembly was constituted only in 1963. Ever since Liberation those in the Velhas Conquistas (Old Conquests 1510-1961), (coastal)Talukas of Tiswadi (Ilhas) Salcete Mormugao & Bardez feared the interference of neighboring politicians from Maharashtra into our administration as deputationists. The  Indian National Congress contested all the 28 seats in Goa and one each in Daman and Diu but ironically all the contestants being landowners lost their deposits  and the Maharashtrawadi Gomantak Party  a pro merger with Maharashtra and pro agricultural labourers party came to power with most of their members from the Novas Conquistas (New Conquests 1763-1961) (midland and western ghat talukas) of Bicholim Pernem Ponda Quepem Canacona Sanguem Sattari. The reasons were obvious.

The Velhas Conquistas electorate was predominantly Catholic and Hindu Brahmin dominated constituencies. The Novas Conquistas electorate were essentially Hindu non Brahmin and a sizeable electorate constituted those from Maharastra and Karwar, who entered the territory for purposes of employment and adopted Goan village surnames to camouflage their outsider status. Hence politicians from the Novas Conquistas could never antagonize the electorate by adopting Goan centric slogans as this would alienate them from the indispensable non goan vote bank. Similarly with the INC putting up landowners as candidates the common man Mundcars and tenants felt betrayed and preferred the MGP .

Again, the first time ever a referendum was ordered  by Prime Minister late Ms Indira Gandhi in India was the “Opinion Poll” of 16th January, 1967 to decide whether Goa and its other enclaves Daman and Diu should be merged with Maharastra or remain a separate entity. It was finally resolved to maintain it as a separate entity, a verdict which was accepted by Goa’s first Chief Minister late Bhausaheb Dayanand Bandodkar, with a pinch of salt as he relied heavily on the neighbouring state for governance.

These sowed the first seeds of polarization between Catholics and Hindus and also between landowners and tenants, the migrants from neighboring districts of Maharashtra and Karnataka always preferred to put their weight on the ruling side.

This in reality dictated the bitter battle of the language agitation .

But with documentary evidence now obtained that those persons who were instrumental for the recognition of Konkani as an independent language had indeed carried out a discreet battle with the Sahitya Akademi (National Academy of Letters) New Delhi to finally achieve recognition of Konkani as an independent language on 26th February 1975. There was however a rider. They wer determined to have only one script Devanagari for the universalisation and standardization of Konkani.

The origins of Devanagari hegemony

It was in 1939 at the first All India Konknni Parishad held in Karwar (as Portuguese then ruled Goa) an thinker and advocate Madhav Manjunath Shanbag from Mangalore, had postulated that Devanagari should remain the only script for Konkani and therefore the Advisory Board for Konkani which had a majority which subscribed to the views of Shanbag finally resolved that Devanagari should be the only script for Konkani. This was an unanimous act of betrayal of those conversant with the Roman Kannada Malayalam and Urdu script.

This they cunningly included in the Goa Daman & Diu Official Language Act, 1987 on 4th February 1987 and at the time of inclusion of the same in the VIII Schedule of the Constitution of India (a schedule which lists the names of 22 languages recognized in India) on 20th August 1992.

Now having done this in Goa they succeeded in eliminating the Malayalam script for Konkani in Kerala as the Konkani speaking community does not have an effective representation in Kerala. Recently they tried to do the same in Karnataka but with the ground swell support for Konkani in the Kannanda script the then Government relented and agreed to its introduction in the primary level from the coming academic year. With a change of government the issue needs to be pursued de novo.

Demand: recognize Roman script Konkani

It is in the light of these developments that lovers of Konkani in Roman script have vowed to fight tooth and nail to ensure official recognition to the Roman script as well by demanding an amendment to the Goa Daman and Diu Official Language Act 1987 sect ion 2(c) Konkani meaning in Devanagari and Roman script.

Let us not forget that since the sixteenth century in 1556 when the first printing press in Asia was set up at the St Pauls college it had fonts not in devanagari but Roman script and the   first book in Konkani was in Roman script the, Doutrina Crista , was published between 1556 and 1561. Missionaries Jesuits Franciscans and produced extensive literature in the Roman script are exclusively conducted in the Roman script so also are the world famour unique tiatrs the mando the dulopods a  symbiosis of the east west culture imbibed with over 451 years of the Portuguese rule all find expression in Konkani in the Roman script.

Over 29.86% of the nearly 13.5 lacs Christians will eventually be denied their heritage and existence with the elimination of the Roman script. Today in matters of employment it is clear that knowledge of Konkani means written in Devanagari script thus denying Christians their legitimate right to employment. The Directorate of Official Languages gives grants as passed in the fiscal budget to Konkani and Marathi through the Goa Konkani and Goa Marathi Academy. In the case of Konkani in Roman script mere assistance is promised – which amounts to doles not as our legitimate rights as deservedly ought to be ours.

Therefore it is now clear that there is a worldwide outcry by Konkaniwadis that diversity in script alone will help flourish the language. Let us join hands to achieve this agenda and wipe out the monopoly claimed by some through one script one language.

 

Communicare aposta no português e na Europa

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O centro cultural Communicare tem vindo a afirmar-se no panorama cultural de Goa, direccionando-se especialmente para os mais jovens. Os seus cursos de verão agendados para os próximos meses dão especial atenção à língua e cultura portuguesa que os seus gestores dizem estar “bem viva” no território.

Especialmente direccionado a promover acções formativas entre os mais jovens, a Communicare preparou para as próximas férias de verão em Goa vários cursos.

Destaca-se o workshop de cozinha portuguesa (17 a 28 de Abril, para crianças dos 8 aos 14 anos), o curso “Português a brincar with Elsa” em que as crianças aprendem o idioma de Camões por via da música, da pintura e das artes plásticas (1 de Abril a 31 de Maio, dos 3 aos 12 anos), bem como o workshop especial “Português a brincar e a cantar”, a 17, 18 e 19 de Abril, na livraria Bookwork, em Panjim (dos 6 aos 9 anos de idade).

Outros cursos de verão oferecidos em Abril e Maio incluem workshops de pintura com o artista goês Rajendra Usapkar, de barro com Verodina Ferrão e de ginástica, karaté e marionetas (Sonia Rodrigues Sabarwal). Todos para diferentes grupos de idade, até aos 15 anos, e geralmente nas instalações do centro, em Porvorim, a poucos quilómetros a Norte da capital Panjim.

Promovendo a língua portuguesa e a Europa em Goa

Gerido por um “trust” de igual nome (Communicare Trust) o centro cultural tem à sua frente os goeses Nalini Elvino de Sousa, Lisa Dias Noronha, Akash Timblo e Audhut Kamat.

Nalini de Sousa, cidadã portuguesa de origem goesa que se estabeleceu em Goa há vários anos, disse ao Supergoa.com que o interesse especial pela língua portuguesa se deve ao facto de que “o Português, ao contrário do que se possa pensar, é uma língua que está bem viva e um dos objectivos (da Communicare) é demonstrá-lo”.

Nalini de SousaO centro tem procurado recrutar jovens portugueses com interesse em desenvolver acções de formação em Goa, porque em Goa há falta de jovens com fluência e capacidade em português: “É difícil encontrar em Goa jovens formados para ensinar Português às crianças mas estamos a criar contactos em Portugal para que no futuro possam vir jovens estagiários formar professores de Goa”, refere, acrescentado que “um desse contactos é com o Colégio João de Deus que se mostrou muito aberto à ideia”.

A ideia é expandir as actividades e passar a organizar “igualmente conferências, exposições e cinema relacionados não só com a cultura portuguesa mas também com a cultura de Goa”. Nalini de Sousa é igualmente gerente da loja de produtos portugueses “A Nau”, em Panjim.

A Communicare tem como um dos seus objectivos “encorajar a compreensão mútua entre Goa e a Europa por via de encontros intelectuais, culturais e inter-pessoais”. A morada do centro é: Communicare Cultural Center, Seraflor Building, Behind Berginia Park, Alto Porvorim, Bardez, 403 521, Goa. O endereço electrónico é communicare@sify.com e o contacto telefónico o (0832) 2412616.