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» O Guru do Trance
(PÚBLICO 25/6/99)
Lendo este artigo rapidamente se compreende
que o Trance não é uma simples moda passageira da juventude de hoje mas tende
a afirmar-se como um movimento mundial.
Nascido há 48 anos em São Francisco,
Califórnia, Goa Gil é úm dos responsáveis pelo nascimento do trance
psicadélico nas praias de Goa em meados dos anos 80. Nos seus tempos de
juventude integrou o movimento "hippie" Haight Hashbury e quando
completou 18 anos deixou a cidade natal e partiu para a Índia, como membro do
movimento que no final dos anos 60 levou milhares de hippies desencantados aos
ambientes exóticos da antiga colónia portuguesa.
"No Verão de 69, Nixon era Presidente e
Reagan acabara de tornar-se governador da Califórnia. A magia de S. Francisco
tornara-se opressiva. Alguns decidiram fundar comunas no campo e outros acabaram
por ficar nas cidades, a maior parte dos quais conformados que acabariam depois
por tornar-se 'yuppies'. Os restantes, onde eu me incluo, partiram para a Índia
numa viagem espiritual." O destino era Goa, e pelo meio Goa Gil ainda
arranjou tempo para aprender ioga com gurus nos Himalaias e buscar o "karma"
pela meditação. Chegado à Índia este antigo guitarrista e poeta amante da
"beat generation" começou por exportar o rock - "existiam cinco
bandas rock na India naquela altura e eu tocava em três delas" - para só
depois descobrir na música electrónica o seu passaporte paara os céus.
No final dos anos 70, comecei a ouvir a primeira
música de dança e encontrei aí a combinação perfeita entre ritmos tribais
do passado e sons futuristas, sintetizados, quase alienígenas. A música
tornou-se um ciclo completo, do tribalismo ao cibertribalismo, o que traduz de
forma perfeita os tempos de agora." Goa Gil e considerado o buda dos
ambientes lisérgicos e das viagens pelos confins químicos da mente e do
espírito, capaz de transformar as festas onde actua em verdadeiros rituais
cerimoniais a que ninguém é indiferente. Ou, tomando à letra o
"slogan" mais conhecido, "redifinindo o ritual tribal da dança
para o século XXI".
"Quando actuo, toda a música e a comunhão
que dela deriva deve elevar-se ao espírito cósmico A musa divina deve descer
à festa e abençoar-nos a todos, Isto foi o que os antigos xamãs e os demais
grupos tribais de todo o mundo fizeram em tempos remotos. Eu limito-me a
actualizá-lo."
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