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De Oleiros ao Tibete, via Goa, em documentário
Viagem do padre António de Andrade, nascido em Oleiros, recriada em documentário por Jorge Fialho. O argumento tentará seguir o mais fielmente possível o percurso de Oleiros, em Portugal, para a Índia - Goa e posteriormente a caminhada de António Andrade até à chegada ao Lago Mansovar, no Tibete, em 1624
A expedição do padre António Andrade, que em 1624 se tornou no primeiro europeu a chegar ao Tibete, vai ser relatada num documentário. O nome do padre consta de uma lápide no centro da vila onde nasceu (em 1581) e que noutras ocasiões o tem recordado. “Mas esta será a homenagem com maior visibilidade”, garante o autarca. “Já está garantida a compra do filme por cerca 40 a 50 canais de televisão de todo o mundo”, refere José Marques.
As filmagens vão começar em Oleiros, percorrer o trajecto de António de Andrade até à Índia e depois o caminho que fez a pé rumo ao Tibete, onde construiu a primeira igreja cristã e estabeleceu um centro missionário.
O município é uma das entidades que apoia a realização do documentário. “Nesta altura estamos ainda a tratar de alguns patrocínios”, refere José Marques, que espera que as filmagens possam arrancar até final do ano. O documentário vai ser realizado por Jorge Fialho, na sequência de um outro que está a filmar sobre o Geoparque Naturtejo (região de interesse pelas formações rochosas e outros monumentos geológicos naturais) de que o concelho de Oleiros faz parte.
LIGAÇÃO HISTÓRICA ENTRE GEOPARQUES
O Geoparque Naturtejo é o único existente em Portugal e engloba os municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Proença-a-Nova, Vila Velha de Ródão e Nisa. “Esta história serve de ligação entre a nossa região e a China, onde existem 18 parques. A sede da rede global de geoparques é em Pequim”, refere Carlos Carvalho, geólogo e director técnico do Geoparque Naturtejo, que vai integrar a equipa do documentário que vai refazer a viagem.
Em termos geológicos, há ligações na formação da paisagem rochosa dos Himalaias e da Naturtejo, uma vez que ambas são reflexo “do jogo de pressão entre placas tectónicas”.
“O documentário vai servir para abordarmos esses processos de formação da paisagem, mostrando que a existência de uma montanha não é um processo estático, mas sim dinâmico”.
Desbravar novos terrenos
Segundo o realizador Jorge Fialho, o documentário parte de Oleiros e destaca percurso entre Goa e o Tibete. “Vamos retratar o pioneirismo de quem como missionário queria promover a fé cristã e, independentemente das boleias que tenha conseguido, se aventurou a pé, naquela época, por terras desconhecidas”, refere o realizador, traçando o paralelo com os Descobrimentos marítimos. Outra parte do documentário vai incluir depoimentos de historiadores e outras personalidades “em Portugal, na Índia e possivelmente na China e Tibete”.
ETAPAS POR CONCRETIZAR
Segundo Jorge Fialho, ainda é cedo para saber quando vão decorrer as filmagens na Ásia. Ainda estão em análise quais os períodos mais favoráveis para o trabalho na Índia e há contactos em curso com a China para chegar ao Tibete. “Há várias etapas por ultrapassar”, refere. “Este documentário vai desbravar terrenos que nunca foram muito bem explicados”, garante o realizador. Segundo o realizador, “os documentários históricos não têm merecido muito apoio em Portugal. O interesse de Oleiros marca a diferença e talvez mostre uma mudança de mentalidades”, refere.
Uma aventura, ainda nos dias de hoje
No Tibete, António Andrade estabeleceu o primeiro centro missionário em Chaparanque, no então Reino de Guge, lançou a construção da primeira igreja cristã em terras do Dalai Lama e descobriu uma das principais nascentes do Rio Ganges. Durante uma jornada de três meses passou por várias tormentas e dificuldades que quase lhe custaram a vida.
O aventureiro e missionário atravessou os Himalaias pela porta de Mana, a cinco mil e 604 metros de altitude. Lutou contra o frio, a neve, a falta de alimentos e as dificuldades próprias da época. Desafiou todos condicionalismos e as contrariedades impostas pelo Rajá de Srinagar, por Andrade e o irmão não serem mercadores.
A carta do padre António Andrade a dar conta da descoberta do Tibete foi traduzida em várias línguas e causou furor em toda a Europa. Os documentos contam a fascinante viagem desde Agra, no Norte da Índia, até à montanha sagrada de Kalaish, a Tsaparang, no antigo reino de Guge, ao Lago de Mansorovar e Rudok, na província de Hou Tsang, no Tibete.
Ver textos no blogue Carreira da Índia
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| Último comentário adicionado |
De: limgl Nunca vi o documentario que aqui e` falado, mas ja vi um outro de um realizador ingles que percorreu a mesma rota de Antonio Andrade. Vi este documentario penso que no Channel4, canal britanico, em 2003 ou 2004. Neste documentario e` referido que
o Antonio Andrade escreveu um livro chamado "Descobrimento do Tibete" e ao que sei esta` na biblioteca da Universidade Catolica de Lisboa.
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