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Invasão de Goa, Damão e Diu foi há 45 anos
Comemora-se hoje, como feriado estadual em Goa, o 45º aniversário do fim do colonialismo português e do Estado da Índia Portuguesa. Nas ruas de Goa realizou-se, paradoxalmente, um amplo movimento de protesto popular intitulado "Save Goa". Marcando a efeméride, o Jornal de Notícias recorda o que se passou a 17 e 18 de Dezembro de 1961.
Goa assinou primeira frase do epitáfio do Império Colonial
O Estado Português da Índia foi ocupado há 45 anos pela União Indiana, dando início a uma década negra para o Estado Novo. Salazar reconheceu que território era militarmente indefensável, mas recusou negociação com Nehru e exigiu sacrifício total
Batia o meio-dia quando as fragatas indianas entraram no porto. Cunha Aragão, comandante do navio "Afonso de Albuquerque", mandou picar a amarra e abrir fogo. Manobrava, porém, numa área restrita. E aos 60 tiros por minuto da artilharia invasora só podia responder com dois. Estava escrito que não teria condições para rechaçar o inimigo. O 1.º grumete telegrafista Rosário da Piedade pagou com a vida a supremacia das forças navais de Nehru.
Gravemente ferido, o capitão-de-mar-e-guerra Cunha Aragão seria mais tarde promovido a comodoro. Um prémio para a ousadia demonstrada na (impossível) defesa militar do Estado Português da Índia, desaparecido nesse dia 19 de Dezembro de 1961. Contrastante com a sanha persecutória que se abateu sobre o governador-geral Vassalo e Silva e 23 outros militares alvo de punições.
Não durou mais de 36 horas o primeiro golpe sério no Império Colonial Português, premonitório de uma década de guerras de libertação, cujo embrião fora, em Fevereiro desse ano de 1961, o ataque de nacionalistas angolanos à prisão de Luanda. O contingente militar nos longínquos - e dispersos - territórios de Goa, Damão e Diu fora reduzido, dada a necessidade de reforçar Angola.
Não ultrapassaria 3500 efectivos, apoiados por 900 indo-portugueses mal armados e duas companhias de polícia, quando à meia-noite de 18 de Dezembro a União Indiana desencadeou a invasão. A "operação Vijay", que envolveu 45 mil tropas, apoiados por blindados, aviões de combate e até um porta-aviões, matou à nascença qualquer veleidade de defesa. Bombardeado o aeroporto e silenciada a estação radionaval, seria uma questão de tempo até à rendição sem condições. No terreno, ficaram 26 cadáveres. O restantes militares foram feitos prisioneiros.
Erguer a bandeira branca era a única opção que Oliveira Salazar recusava liminarmente. Quatro dias antes, enviara a Vassalo e Silva uma mensagem clara. "Não prevejo a possibilidade de tréguas, nem prisioneiros portugueses, como não haverá navios rendidos, pois sinto que apenas pode haver soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos", escreveu o ditador, exigindo ao governador-geral, também comandante militar, que aguentasse oito dias, tempo considerado necessário para que o Governo mobilizasse instâncias internacionais.
Negociar, nunca
Bem sabia Salazar que nenhum país sairia em seu socorro. Nem os Estados Unidos de John Kennedy, a que pedira uma declaração pública susceptível de dissuadir Nehru de abocanhar a Índia Portuguesa. Era, portanto, a imolação o que pedia, por nunca ter aceitado a alternativa negocial proposta por Nova Deli.
Nehru, ponta-de-lança do Movimento dos Não-Alinhados, com o indonésio Sukarno e o egípcio Nasser, apresentara como pacifista a sua Índia, libertada em 1947 do jugo britânico. A comunidade internacional percebera que não abdicaria de completar a descolonização, o que envolvia territórios sob soberania portuguesa e francesa.
Ao contrário de De Gaulle, Salazar supunha poder manter intocável o extenso império, herança das Descobertas. A sua intransigência era política, não económica. Desse ponto de vista, Goa valia muito pouco; Damão e Diu ainda menos. Em conjunto, habitavam os territórios 625 mil pessoas. Como se tratou de uma invasão "anunciada", quem quis saiu a tempo, por via naval ou aérea. Ignorando o apelo de 13 de Dezembro da Emissora de Goa: "Se nos atacarem, ficaremos aqui sepultados".
Dossier Goa 1961 Supergoa.com
Visite o dossier especial que o Supergoa.com preparou por ocasião do 40º aniversário da invasão, em Dezembro de 2001, bem como a respectiva montagem animada gráfica.
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| Último comentário adicionado |
De: vikky Esse Salazar bem sentado na cadeira em Lisbon podia pedir tudo,porque os pobres e esfaimados soldados estavam longe em terras estranhas.
Mas essa mesma cadeira matou-o.
Pobre louco que estava pedindo tratamento anti senil
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