EUA revelam ter alertado a Índia para um eventual atentado por mar
Hasan Gafur, comissário da Polícia de Bombaim, explicou, esta terça-feira, que o comando terrorista que atacou a cidade indiana na semana passada colocou cinco bombas e chegou num barco proveniente da cidade portuária de Carachi.
Numa conferência de Imprensa que as televisões locais transmitiram em directo, Hasan Gafur avançou que os terroristas colocaram três bombas em táxis, uma perto do Hotel Taj e outra no Hotel Oberoi. O comissário reconstituiu os factos e reafirmou que os terroristas saíram de barco de Carachi, tendo depois passado para um pesqueiro em águas indianas que atracou na costa de Bombaim.
Em terra, apanharam cinco táxis e atacaram os hotéis Taj e Oberoi, o hospital Kama, o centro judaico Nariman, o Café Leopold e a estação ferroviária Victoria, enquanto disparavam indiscriminadamente quando evoluíam de um para outro local.
"Corriam de um sítio para o outro", disse Gafur, negando que os dez terroristas pudessem ter planeado a morte do chefe da brigada anti-terrorista de Bombaim, Hemant Karkare, que foi abatido nos primeiros momentos após o assalto. O comissário insistiu que o único detido, Ajmal Amin Kamal, é paquistanês e adiantou não ter provas de algum dos restantes terroristas seja britânico, como a Imprensa chegou a noticiar.
Os autores dos ataques de Bombaim actuaram em "missão suicida", considerou Gafur, acrescentado ter "provas sérias de que vieram do Paquistão". "Na nossa opinião, tratou-se de uma missão suicida", declarou o chefe da Polícia de Bombaim, sublinhando que o objectivo da operação era "fazer uma acção espectacular e matar o maior número de pessoas possível".
As afirmações de Hasan Gafur inserem-se num quadro de elevada tensão, política e diplomática, entre a Índia e o Paquistão, tendo o ministro indiano dos Negócios Estranheiros, Pranab Mukherjee, desdramatizado um pouco a situação, ontem, ao afirmar que Nova Deli não tenciona empreender uma acção militar contra Islamabade. Mukherjee falava à saída de uma reunião do Conselho de Segurança indiano, órgão máximo em matéria de assuntos militares e diplomáticos, convocado para debater a estratégia a adoptar após os ataques contra Bombaim, que fizeram 188 mortos.
Curiosamente, ontem também, um alto responsável da administração Bush revelou que os Estados Unidos da América (EUA) alertaram a Índia antes dos atentados da semana passada em Bombaim que terroristas estariam a organizar um ataque por mar à sua capital financeira. O responsável não quis dar mais informações, por exemplo sobre a altura em que o aviso foi feito. Mas confirmou que Washington deu os dados que tinha sobre eventuais ataques. A fonte não quis ser identificada devido à natureza sensível da informação.
A revelação do envolvimento dos EUA aparece quando o governo indiano enfrenta acusações várias de falhas na segurança e dos serviços secretos depois dos atentados.
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, visita hoje a Índia, levando o pedido de Washington ao Paquistão para cooperar plenamente nas investigações sobre os atentados e para tentar reduzir a tensão entre a Índia e o Paquistão, cuja rivalidade é antiga.
No meio de informações de que os terroristas treinaram em campos no Paquistão, a Índia pediu a Islamabade que entregue presumíveis terroristas que viverão no país e instou os líderes paquistaneses a tomarem "acções firmes" contra os eventuais responsáveis.