Lisboa, 10 Nov (Lusa) - O concurso "Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo" foi hoje apresentado na Torre de Belém como "um vector de diálogo e de orgulho dos portugueses", segundo a organização.
Luís Segadães, Presidente das Sete maravilhas de Portugal, assinalou que este concurso surge na sequência do êxito alcançado pelos anteriores concursos "Sete Maravilhas do Mundo" e "Sete Maravilhas Portuguesas", que resultaram num aumento de 30 por cento dos visitantes aos monumentos eleitos.
A concurso estão 22 monumentos construídos por portugueses, classificados como Património da Humanidade pela UNESCO e distribuídos por três continentes.
Portugal, indicou Segadães, é o país com mais património classificado, logo a seguir a Espanha, que tem 24. Porém o património edificado por portugueses está dispersos pelos três continentes, enquanto "o espanhol está mais concentrado geograficamente", designadamente na América Latina, disse Segadães.
Os 22 monumentos a concursos serão votados via telemóvel, por SMS, ou através da Internet, sendo o resultado conhecido no próximo dia 10 de Junho, numa cerimónia que se realizará em Lisboa sob o tema "Heróis do mar".
Também presente na sessão, o antigo dirigente socialista António Vitorino, que será o comissário do concurso, salientou que este "será uma base para maiores relações culturais e trocas comerciais, além de promoção do turismo".
"Vitorino salientou no seu discurso que os portugueses foram "o primeiro povo globalizador" e que este concurso mostra "o orgulho de ser português".
O actual concurso "cavalga sobre o sucesso que foram as Sete Maravilhas do Mundo e as Sete Maravilhas de Portugal e também sobre o que é a presença portuguesa no mundo".
Sobre esta presença portuguesa o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, afirmou: "Aquilo que foi feito e deixado pelos portugueses nos sítios ao longo dos séculos onde estabeleceram relações com as populações, foi muito vezes vertido em edificações, em planeamento urbano" e reconheceu que "há muito património mal preservado e quando é preservado não é requalificado".
O governante salientou também a ligação entre o Património e a Língua Portuguesa, a quinta mais falada no mundo e a terceira europeia mais falada fora da Europa.
O ministro disse ainda que este projecto "deve contaminar as populações" tanto em Portugal como no seio da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP) e das geografias onde se inscreve esse património.
Referindo-se à iniciativa disse: "O que tenho a certeza que farão e espero que façam desta vez é que o façam com paixão e fazendo com paixão deixem uma cicatriz no mundo. Ajudem a reconstruir e a reedificar todo este património e assegurem que passemos a ser mais atentos ao nossos património e nos entendamos melhor".
A sub-directora do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) Andreia Galvão realçou a importância as parcerias com diversas entidades e "a necessidade de agir em rede", referindo-se depois ao património como "elemento capaz de emocionar" mas apostando também "na solidariedade e sustentabilidade social".
Em declarações à imprensa, após a cerimónia, o ministro da Cultura disse que "há técnicos do IGESPAR a trabalhar e a sinalizar situações patrimoniais" em várias partes do mundo".
Nas preocupações dos organizadores e também de Pinto Ribeiro está "o apoio a candidaturas de património construído por portugueses" à distinção da UNESCO como Património da Humanidade.
Entre esse património o ministro citou a Fortaleza de Ormuz (Irão), a Fortaleza e Igrejas de Goa (Índia), a Fortaleza de Mombaça (Quénia), o centro urbano de Benguela (Angola), a Praça e palácio do Governador no Rio de Janeiro (Brasil), ou o Padrão português no Cabo da Boa Esperança (República Sul-Africana).
NL.
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